sexta-feira, 2 de abril de 2010

Nas Rodas do Mundo

Afiar as facas,
lustrar as armaduras e punhais.
A vida é uma luta contínua.
Zonzos, giramos nas rodas do mundo.

Qual herança deixar para aos descendentes?
Um século sem luzes? Um pensamento torto?

Nos ares, deixo alguns poemas
e a esperança num dia-a-dia
sem sangue, fúria e fogo.

Ainda adormeço sobre rendas francesas
e sonho outonos molhados.
As tardes sorvem o sumo das folhas
e nenhuma lágrima guardo
para chorar amanhã.

Não quero condolências
quando meu corpo cumprir
a funérea missão.

Quero seguir as nuvens,
ouvindo sinfonias:
Bach, Beethoven, Mahler,
Chopin e as rosas cálidas
na voz de Cartola.

Quero sossego numa noite azul.
Deus ainda espera-me e sorri.

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