segunda-feira, 1 de março de 2010

Freudianas

Sensação de abandono.
Édipo mal abre os olhos
e apressa meus passos
para ouvir as súplicas,
neuroses de minha mãe.

Tenho esquizofrenia aguda.

Ouço nos cantos da sala,
a voz das almas perturbadas.
Nas paredes, versos de luz
cegam meus olhos.

Eros e Tanatos torcem meus braços,
erigem meus cabelos.
No criado-mudo, dedos deslizam,
barulham horas em agonia.

Onde encontrar remédios para salvar-me?

Amanhecer no Shopping Center
ou sair por aí, com a cara franciscana
cantando louvores às filhas de Maria?

No espelho do quarto, leio recados
escritos com letras vermelhas:

Perigosas são as palavras.

Vagarosa, passa a tarde.
Entre ruas e parques,
Meus olhos procuram no chão
o número da sala do terapeuta.

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