segunda-feira, 1 de março de 2010

Retrato de Quinta-Feira

Mudas palavras acordam a manhã
e se perdem na palidez dos meus lábios.

Secos, os cabelos se enroscam,
se quebram entre os dedos.

Trêmulas, as mãos se acalmam.
Nas cordas de um violão,
canções afugentam a angústia e o medo.

Lágrimas apagam a luz das paisagens
e o verde musgo das folhas
entre os muros da velha casa.

Cigarros acesos, apagam as estrelas
e as flores estampadas nas cortinas da sala.


Barulham talheres nas mesas.
No chão, jornais amassados.

Antigas parábolas colorem as páginas dos livros sagrados.


A quinta-feira chora uma tarde molhada.
Ouço os versos feitos de vento e nuvens.

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