Os fios da tarde,
Teciam as horas.
O cheiro das frutas
convidava-me para ceia.
Nas sombras, os dedos
contavam os anos.
Além do espelho,eu via fogueiras.
Corpo e alma buscavam
a lógica da existência.
Tudo vai, tudo flui -
Diziam duendes
atrás das árvores.
Há desconforto quando a fé
deságua em nada.
Homens constroem
a própria história,
guardam passados.
Eu guardo a eternidade
na voz das personagens,
nos livros sagrados?
Dúvidas revelam-se
entre luz e sombras.
Na transparência das mãos,
multiplicam-se flores,
desejos e pão.
Continuo a existir
e a querer a salvação
num olhar de Deus.
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